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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

um Vietnã e meio por ano


os meninos estão raivosos
na correria, crescendo, matando
e são filhos meus seus nossos
os carros são furiosos e velozes


Malcolm X, gandola, tênis de basquete
DJ no prato, puxa o sample, faz o scratch
Wu-Tang Clan, Marvin Gaye, 2Pac, Sabotage
CGezinha, 765, AK
47


as meninas viram top
models, poetas
mulher-placa, vampiras lésbicas, operadoras
de telemarketing
calça popozuda, progressiva, Queen
Latifah, gloss


as bombas de fragmentação soltam
pedacinhos
os meninos lá, só filmando
o abismo
os meninos do vapor, tropeçando
no muro
e o que eles não aceitam é tomar no cu
sozinhos

não querem mais
pagar a fatura
se foderem amplo, irrestrito
e geral
na fratura do apartheid
social

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

sábado, 12 de setembro de 2009

A MÃO DIREITA DO CANHOTO

de esquerda é o burguês culpado
de direita, o burguês ressentido


de esquerda é quem persiste na distinção esquerda/direita
de direita são os que a crêem superada


de esquerda é quem vive no futuro
de direita, quem conjuga o futuro do pretérito


de esquerda é acreditar no Homem
de direita, se proteger da besta-fera


de esquerda é confiar no Estado
de direita, mantê-lo sob controle


de esquerda é querer mudar a História
de direita, reescrevê-la


de esquerda é desejar o progresso
de direita, pô-lo a serviço da tradição


de esquerda é o público gerindo o privado
de direita é, privadamente, digerir o público


de esquerda é o materialista nas idéias e idealista nas ações
de direita é o pragmático do espírito


de esquerda é quem se assume cristão na velhice
de direita, os nostálgicos de uma idade de ouro clássica


mas quando a coisa aperta pra valer,
mão direita e mão esquerda se juntam
e rezam

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

o Abismo e seu Cavaleiro

Conta a lenda que um cavaleiro forte, alto e pouco experiente, a quem chamavam Ferrabraz, por motivos de honra virou noivo de uma donzela que nem conhecia. A família exigia que o casamento acontecesse imediatamente, pois em outra coisa não pensava Focaccia, a princesa.

No caminho do castelo de Payan ele encontrou uma linda feiticeira que lhe revelou que a noiva era feia como a necessidade e chata como uma mula empacada. Nela o cavaleiro não acreditou e, assim, a bruxa o lacrou com um tipo de feitiço embutido numa macumba.

De tudo a bruaca o ameaçou; a felicidade ao lado dela lhe prometia, fama, glória e dinheiro na caixinha. Vendo que debalde lançava rogos e pragas, a bela wicca o transformou em sapo sem respeito, de barriga laranja e fios de cabelo grossos como minhocas.

Cansada de esperar o cavaleiro que tardava, Focaccia em abismo se transformou e a engolir toda a maldade, orgulho e tontice do sapo principiou. Lá-lá-lá-ló-lú-lex-lá-lí. E Ferrabraz o Cavaleiro do Abismo se tornou.


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

o pronto instante

A mulher do brâmane que trazia as frescas águas do riacho entre as mãos numa esfera de cristal, o santo cuja água podia acender lamparinas, o vidente cujo lapso de memória é o sopro divino, o verdadeiro paranóico para quem tudo se organiza em esferas aconchegantes ou ameaçadoras em torno da pulsação central de si próprio, o sonhador cujos jogos de palavras exploram fétidos poços e túneis de antigas verdades, todos eles agem essencialmente em função da relevância da palavra, ou daquilo que a palavra, como um anteparo, está ali para nos proteger. O Verbo é um símbolo e um prazer que suga os homens e as cenas, árvores, plantas, fábricas e chineses. Depois, a Coisa se torna o Verbo e volta a ser a Coisa, viva como a carne da ferida do mendigo, mas deformada e entrelaçada num padrão fantástico.