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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

tudo que eu achava que não


adeus palavra
saudades me despeço de ti
não sei se tornarei a ver
o Ser
e o Tempo
caminhar de braços
dados além dos abraços
e a minha mão em vôo solo
minhas explicações a sair
pelos cotovelos
o perdido sentido das coisas não é mesmo
para guardar
quero caminhar procurando cheiros
de metáforas
torcidos lençóis ensangüentados
nadas
vais achar
mais dor se fores
forte mesmo assim não olhes
para acasos ou desígnios
meus sonhos contaminam outras casas
que já não são minhas nem roubadas
uma lembrança que já não há
por acaso calarias o silêncio do silêncio
ou pouparias da dor o desespero?
o vazio na mesa da sala ocupa
implacável o central
e a ruas adormecem sem ti
adeus sem
palavra
Entremos.

Terapia de Grupo


            Mineirim, cabadim de chegar a Sumpaulo, foi que foi tentando se misturar ao povim desta cidade-gado, deste povo marcado e feliz. Mas o que tava pegando mesmo era que num pegava muié niúma, nem gripe ele tava pegando, aliás, mineirim tava que nem mega-sena: só acumulava.
            Vai ver era a o um-sete-um, parecia que o xaveco dele não entrosava com essas minas ariscas da capitar; resultado: tava feito largatixa, subindo pelas paredes e praticando, dia sim outro também, justiça com as próprias mãos. Achou nos classificados a solução: Consultório psicológico, venha resolver seus problemas sexuais e de relacionamento. Terapia de grupo.
            Perfeito. Ligou e marcou a consulta num endereço descolado da Vila Madalena. Umas cinco pessoas se achavam sentadas formando uma roda em torno do terapeuta, que tirou os mocassins e se sentou na poltrona cruzando as pernas na posição de lótus.
            ― Bem, acho que estamos todos. Poderíamos começar com cada um se apresentando brevemente e falando um pouco da questão que o trouxe aqui.
            ― Certo. Meu nome é Thiago, trabalho com design, sou casado e venho ultimamente ficando com um amigo e achei que precisava trabalhar melhor a minha bissexualidade.
― Eu sou o Nelson, advogado de direito ambiental, estou vivendo uma situação no meu casamento em que a minha mulher está tendo um caso extraconjugal e estou aqui para transar melhor isso na minha cabeça...
― Olá todo mundo, me chamo Mara e trabalho como tatuadora e piercer, vim porque, desde pequena, quando vejo as bundinhas e peitinhos das meninas, fico louca. Resolvi assumir que sou lésbica.
― Meu nome é Antônio, cabei de chegar de Minas e até hoje pensei que eu era pedreiro, mas ouvindo ocês, descobri que eu sou mesmo é lésbico!

PRIMEIRAS PROPAGANDAS DE PERSONAGENS-CANDIDATOS A VEREADOR NAS ELEIÇÕES INFANTIS DE 2012 e FUSÕES DE PARTIDOS POLÍTICOS

Faltam menos de seis meses para as eleições infanto-juvenis de 2012, e os personagens-candidatos a vereador  já estão em campanha. 
Uma delas é Giovana Farabulini (UJT), que utiliza o slogan "Uma liderança jovem na Câmara de Vereadores".  Júnior Góes (PBAM), já coloca seu plano de governo em seus materiais políticos: Financiamento público de cosplayers, Multa para os porcalhões de calçada e reajuste salarial para os guardas municipais.Outro exemplo de candidato em campanha é Pietro Morbidelli (PES), candidato a vereador com a auto-intitulação de "Blogueiro da Agricultura e do Meio Ambiente". Além de Morbidelli, há candidatos que defendem bandeiras únicas. Natália Bugarin (PCR) defende a implantação de centros esportivos para combater a problemática das drogas.




FUSÕES PARTIDÁRIAS
Antes do início das campanhas políticas, ocorreram uma série de fusões entre alguns partidos políticos da EBVG.
O Partido dos Animais (PA) e a União Democrática Animal (Udan) se fundiram em 19 de janeiro, dando origem à Alternativa para uma República de Iguais (ARI). O novo partido utilizará o número 47. O Partido Olímpico Democrático Reformador (Poder) e o Partido do Futebol (PF) formaram a União Desportiva Popular (Udesp), que usará o número 49. A Legião Bembonesa de Super-Heróis (LBSH) foi incorporada ao PBAM.
NOVAS SIGLAS
Mas surgiram também 3 novas siglas para a disputa deste ano. O Partido Operário Popular (POP) usará o número 29, e a estudante e candidata a vereadora Gabi Teixeira é a presidente nacional. 
Dissidência do PAD, o Partido Democrata-Cristão (PDC) utiliza o número 17, e seu principal nome é a ex-PBAM, Fernanda "Fitness" Mendonça. A terceira nova sigla é o Partido Bembonês das Companhias do Metropolitano (PBCM), cuja presidente nacional é a nova personagem da EBVG, Eliane Metroviária (Eli).

sábado, 28 de janeiro de 2012

A descendência de Iscariotes (final)


Os olhos dele eram duas turmalinas de azul translúcido, neles podia-se por vezes surpreender sutis gradações de uma tristeza ancestral em vagas sucessivas de desespero lancinante; os cabelos, vermelho-escuros, davam a permanente impressão de terem sido despenteados por um pé de vento; na pele, muito clara, ao contrário do que seria de se esperar, não se via a profusão de sardas tão característica dos ruivos. Alto, aparentando uma juventude que os olhos desmentiam, o rapaz vestia sempre ternos em elegantes tons de preto. Alexis Von Duggu fazia o turno da noite na equipe de guarda-costas que protegia vinte e quatro sobre sete os agora ricos fundadores da Igreja Mundial dos Milagres de Deus.
Em pouco tempo, o moço de modos taciturnos ganhou a inteira confiança da Família Adams ― codinome jocoso com que os seguranças haviam apelidado os “bíblias” e seus seis filhos. Apesar da pouca idade que aparentava, os colegas da equipe respeitavam Alexis e, principalmente, temiam-no; durante uma tentativa de seqüestro ele baleara quatro homens encapuzados e armados de submetralhadoras demonstrando frieza e rapidez sobrenaturais. Os líderes da I.M.M.D. usaram toda a sua influência política para abafar o inquérito policial, que nunca chegou a elucidar a morte de um dos bandidos, encontrado sem uma gota de sangue no corpo.
Dizia-se descendente de uma antiga e decadente estirpe de nobres eslovacos, fugida para a América do Sul com a derrota do nazismo. Um arrepio geral correu pela nuca dos que o ouviram dizer que os verdadeiros Van Duggu só bebiam do seco e comiam do sangrante.

― Vocês crentes são curiosos: vêem o Diabo em todo canto, menos onde realmente está... ― Alexis mal continha a ironia quando estava a sós com Bella, o que era cada vez mais freqüente.
― O que você quer dizer?...
― Você sabe muito bem. Nesta casa onde nem Castelo Rá-Tin-Bum, nem Harry Potter podem entrar, tá aí você: se intoxicando às escondidas com essa xaroposa saga do Crepúsculo... ― sorriu, descobrindo uma linha de dentes perfeitos e brancos como uma louça de ágata.
― Não conte para os meus pais, por favor, eles não iam entender... ― Bella, aos dezessete anos, era uma adolescente pálida e depressiva que usava blusas de manga comprida no verão para ocultar as cicatrizes dos cortes de gilete que se fazia nos braços.
― Quem me parece que não entende é você, garota. Os noturnos não se comportam como nessas historinhas para urinar no colchão, são monstros que perderam a humanidade que um dia tiveram; já não têm escolha moral, a única coisa que lhes resta é continuar a destruição, o verdadeiro motor da história. Tá certo, alguns o fazem com uma certa graça...
― Eles... não... amam?...
― E o que você sabe sobre o amor? ― aproximou sua boca dos lábios trêmulos da garota, falava-lhe numa voz baixa e compassada ― Só ama quem é dividido. Sabe o que uma criatura das trevas pode ver em alguém como você? Uma presa, uma guardiã, ou outra alma maldita como ele esperando para ser libertada da vida.
― Como assim, guardiã?
― Pensa. Apesar de poderosos à noite, noturnos são vulneráveis, precisam de vigilância e proteção durante o dia... igual sua família, que precisa ser protegida noite e dia...
― Dizem que você é mais velho do que parece...
― Tenho a sua idade, dezessete; mas, como cada ano dos seus vale por sete dos meus, já são cento e dezenove anos...
― Mas daí... deve chegar um momento em que a idade dos noturnos já não tem comparação com a nossa...
― É a hora em que se perdem todos os resquícios do homem, sobra então a fera faminta.
― Sua pele... é tão branca... ― Bella acariciava o rapaz, completamente enamorada pelo estranho sedutor.
― Porfiria. Uma doença genética familiar, todas as mulheres Van Duggu sofriam de anemia. Como você, aliás...
Isabella definhava lentamente, cada dia mais pálida e enfermiça. Ninguém parecia se dar conta de que todas as noites, até o galo cantar pela última vez, o rapaz fazia barba, cabelo e bigode. Principalmente este último, já que a marca das suas presas ficava oculta sob a pelugem do monte de Vênus ― hoje em dia, parece que só as crentes e naturistas radicais não desmatam essa área.
A pobre menina apaixonada já não se sustentava em pé, passava os dias no quarto, reduzida a uma cama hospitalar de home care e alimentada via soro. Nenhum comentário acerca do seu abdome que se avolumava progressivamente. Os avós dela, assustados com a deterioração do quadro, enviaram monsenhor Amintas; nunca se sabe, argumentaram, o efeito que uma boa confissão católica é capaz de produzir. Contrariados, os pais aceitaram a visita de cortesia.
Monsenhor Amintas, antigo confessor da família de Josenaldo, não se demorou muito por lá; bastou encontrar com Alexis no corredor para saber que ali o curral tinha dono. Os dois sorriram amavelmente e se cumprimentaram, talvez mostrando um pouco demais os dentes um para o outro.
Bella entrou em coma vígil, já praticamente não se comunicava nos últimos meses. A Família Adams encontrava-se reunida no quarto dela quando a criança nasceu. Alexis limitava-se a observar a cena do seu canto, parecendo apenas levemente enfastiado. O parto aconteceu pela via natural, o bebê ostentava uma vasta cabeleira ruiva e dentes ― que usou imediatamente para sugar o que ainda restava de sangue na jovem mãe.
Em meio à estupefação geral, Alexis pegou a criança e dirigiu-se para o sótão da casa. Deixou ordens expressas para não serem incomodados nas próximas horas. O dia estava para nascer.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A descendência de Iscariotes (II)



― Irmão, isso, ligue o microfone, venha para o centro do palco e dê seu testemunho! Diga a todos, do fundo do seu coração, de quem você é, de que lado você está agora?

― Apóstolo, irmãos, eu já trilhei o caminho das trevas, eu já andei de braço dado com o Satanás! Minha vida era a pedra: fumar, aliciar, traficar, prostituir eram as minhas ocupações, larguei mulher e filhos, abandonei minha mãe e meus irmãos, troquei a noite pelo dia... só havia escuridão ao meu lado, fui morar na rua, dormia embaixo das marquises, comia restos da comida dos outros, quando comia!, passava o dia andando, mendigando, robotizei, virei zumbi...

― E o chamado, você ouviu o chamado de Cristo irmão? Assim como todos estes irmãos e irmãs aqui reunidos... e vocês, responderam ao chamado de Cristo? Não escutei, mais alto! Mais alto! Graças a Deus, louvado seja o Senhor, por que Ele está aqui conosco!

― Hoje eu vivo em Cristo, hoje sou um soldado de Deus, vivo para a obra da Igreja Mundial... irmãos, eu sou a prova de que as bênçãos são derramadas em nossas vidas, eu vi, eu senti agindo em mim e em minha vida os milagres da Profeta Marieva, e por isso posso testemunhar o poder do Espírito Santo que foi soprado na palavras do Apóstolo Josenaldo!

― Meus irmãos e minhas irmãs, não importa a profundidade do abismo, o que vale é o tamanho da fé! Posso andar pelo vale das sombras, todos podemos andar um dia!, mas, se tivermos fé, estaremos salvos, salvos! Quero ouvir de novo... maravilha, meu povo! Tenham fé, desejem a transformação, pratiquem a oração, peçam, não tenham medo de se abrir, de se despir por inteiro diante de Deus, já que Ele nos conhece por dentro e por fora, desde o fim até o começo... Vamos todos pedir a Cristo, que interceda perante o Pai por nós, que nos mantenha longe do Inimigo e suas legiões. Irmãos, o caminho do pecado é ladeira abaixo, não tem dificuldade alguma para chegar nele... o caminho do Senhor é íngreme, é subida o tempo todo, e vocês sabem por quê? Sabem? Porque virtude é força, e fazer força cansa, lutar cansa, trabalhar cansa, irmãos, sempre é mais fácil se entregar, desistir; estejam sempre atentos e ativos, portanto... Judas, o traidor, não ficou sem descendentes neste mundo cheio de crime e pecado, o exército do Iscariotes está sempre de tocaia para nos tentar. Que maior alegria pode haver do que ter o próprio Cristo nos servindo? Pois Judas, lembrem de João, o Evangelista, capítulo 13, versículo 21, Judas recebeu o pão embebido das mãos do Salvador, e mesmo assim, o Coisa-Ruim entrou nele!

É fácil apagar rastros, difícil é andar sem pisar o chão. Marieva e Josenaldo só queriam apagar um erro, por conta disso acabaram construindo um império sobre ele; uma imensa estrutura tentacular congregando milhares de pessoas em todo país e no exterior. Não tinham mais como parar o que haviam começado. Nem mesmo conseguiam parar de reproduzir, já tinham seis filhos.

Uma coincidência fez com que recaísse sobre Marieva e suas visões uma aura de santidade: houve uma mensagem dela para que o ministério de Juiz de Fora não enviasse um fretado com crentes no Pentecostes; um outro ônibus de linha saindo da cidade no mesmo horário colidiu com uma carreta a caminho de São Paulo causando trinta mortes. O pedido dizia respeito à capacidade de acomodar os fiéis, mas a versão que ficou foi a de que a santinha havia previsto o desastre.

Estes e outros fatos quetais foram responsáveis pelo rápido crescimento do empreendimento religioso; algumas iniciativas de Josenaldo mostraram-se golpes de puro instinto marqueteiro: com um pequeno investimento inicial e duas encomendas em uma fábrica de brindes, as Chaves do Céu e os Pilares do Templo, simples bricabraques de plástico comprados em massa pelo rebanho da I.M.M.D., financiaram a construção de um megatemplo para 50 mil pessoas e a aquisição do grande caça-níqueis da seita ― a fazenda onde se instalou o Retiro do Monte Tabor; local de peregrinação que todo crente deve visitar uma vez por ano e onde até o uso do banheiro é pago e reverte para os cofres da igreja.

Mas o que realmente alçou a Igreja dos Milagres aos píncaros da celebridade foi um acontecimento que dá passo às mais variadas leituras e em cujos desdobramentos o privado e o público se confundem. Onde muitos vêem crise, dificuldade, alguns poucos enxergam oportunidade. O casal de fundadores da I.M.M.D. esperava o sétimo filho, um exame médico apontou problemas sérios no feto; a opinião dos especialistas era unânime: a continuação da gravidez punha em risco mãe e bebê, recomendavam o aborto terapêutico. Desde o começo, o Apóstolo e a Profeta deram plena publicidade ao caso, principalmente à firme decisão de levar adiante a prenhez. Contra tudo e contra todos.

Foram meses de espera e vigília, de orações dos fiéis e prédicas inflamadas de Josenaldo, com os ultrassons da santinha e seu feto sendo projetados em telões nos templos ― a igreja capitalizava o fato como um reality show da fé. O risco, porém, era verdadeiro. Duas horas depois de nascer numa cesariana de urgência, o bebê morreu. Os pais dormiram aquela noite com a criança entre ambos na cama do hospital; quando o dia nasceu, mandaram vir os outros seis filhos e lhes apresentaram a irmã morta. Eles mesmo a batizaram; deram-lhe o nome de Cristina, que significa “ungida com crisma”, pois teve os óleos da devoção em sua alma e bênção em sua boca.

A segunda filha deles, Isabella, nunca mais esqueceria aquele ritual macabro que, no entanto, agradou em cheio aos que seguiam o drama. Bella tinha doze anos.


sábado, 21 de janeiro de 2012

A descendência de Iscariotes (I)


Josenaldo e Marieva cederam aos cúpidos apelos da matéria e fornicaram; antes que os unissem os santos laços do matrimônio, uniu-os a carne. Como não cai nem uma folha sem que Deus saiba, conceberam; porém, mesmo tendo sido abençoados, renegaram o fruto da sua luxúria carnal. Desprezavam assim o mais precioso fruto do barro humano, aquele que carrega em si o dom, a centelha divina ― a alma imortal. Cometeram grave ofensa ao Senhor, pois que se arrogaram o poder de dar a vida e a morte.
Mal haviam completado dezessete anos na época. Os pais de ambos, não obstante serem católicos, pressionaram para que não viesse ao mundo uma criança para ser criada por outras duas. Mesmo assim, casaram-se ao completar dezoito e, dois anos e meio depois de terem praticado o nefando crime do aborto, nascia o primeiro filho do jovem casal. Deram-lhe o nome de Enoque, aquele que foi arrebatado sem conhecer a morte.
O ressentimento deles em relação aos pais desviou-se para a confissão familiar: abandonaram a Santa Madre Igreja iniciando um período de intensa busca espiritual. Liam de tudo, o Tao Te Ching, o Livro de Mórmon, o Mahabharata, a Bíblia, os Analectos, o Popol Vuh, o Livro dos Mortos, o Corão, o Evangelho Segundo o Espiritismo, o Baghava-Gîta, o Zohar e o Universo em Desencanto. Freqüentavam, também, de tudo; convertiam-se, rebatizavam-se, iniciavam-se, meditavam, rezavam em todos os templos, corriam ceca e meca sem achar sossego.
Josenaldo trabalhava de corretor de seguros e Marieva fazia meio-período na cantina de um terreiro do Santo Daime. Até que lhes veio uma menina, Isabella.
Quando a criança foi trazida pela enfermeira para a primeira amamentação, Josenaldo dormia no sofá do quarto da maternidade. Ali, sozinha com o bebê que mamava desajeitadamente, Marieva teve a primeira visitação. Surgiu no quarto uma luz que aumentou até o aposento ficar mais iluminado do que ao meio dia; imediatamente apareceu ao lado da cama um personagem em pé, nu, flutuando acima do chão. Ele vestia apenas uma leve túnica da mais rara brancura, uma brancura que excedia qualquer coisa que havia visto, de uma radiância tão pura como não poderia haver cor terrena que fosse de tal modo branca e brilhante.
Não somente a túnica, mas toda a sua pessoa era verdadeiramente gloriosa e seu semblante refulgia como um relâmpago. O quarto estava claro, mas não tanto como ao redor do mensageiro. Ela se assustou, mas logo foi invadida por balsâmicas ondas de calma e o medo desapareceu. O anjo fez um sinal para que se mantivesse em silêncio e não acordasse nem o marido, nem o bebê; chamou-a pelo nome e disse-lhe que Deus o mandara porque ela tinha uma missão a executar, uma boa nova que deveria ser levada a todas as nações, tribos e línguas.
Falava com a doçura que há na voz dos bem-aventurados. Afirmou que voltaria a visitá-la com mais instruções do Salvador, que a escolhera para revelar a plenitude do Evangelho Eterno tal como fora entregue aos antigos habitantes e que havia se perdido ao longo da história. Após estas palavras, a luz do quarto começou a concentrar-se em torno dele e foi diminuindo gradativamente até a escuridão voltar a reinar, e então apareceu uma espécie de túnel que conduzia ao céu por onde ele ascendeu, devolvendo o quarto para o estado anterior ao surgimento da luz celestial.
Marieva começou a falar em línguas e profetizar. O Espírito Santo havia se manifestado nela. Josenaldo não perdeu tempo: organizou cultos de evangelização numa casinha cedida por seu melhor cliente e em breve nascia a Igreja Mundial dos Milagres de Deus. Os surdos passaram a ver, os cegos a ouvir, paralíticos a sentar, curas foram operadas, pais de famílias voltaram ao lar, homossexuais largaram seu vício, viciados se entregaram à fé, bandidos choraram, todos davam testemunhos emocionados e o eloqüente Apóstolo Josenaldo somava à vidência da esposa a sua presciência para os negócios.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Um pensamento diferente ....


Pense diferentemente todo dia e faça a diferença...Katita